Nunca se sentiram a afogar nos vossos próprios pensamentos?
Vem de mansinho… Muitas vezes começa com a conversa mais
inocente com um amigo, ou com algo que viram na televisão, algo que leram numa
revista, num livro, um comentário que ouviram na rua a um desconhecido… Outras
vezes vem de dentro, de uma preocupação, algo que achamos que devia estar a
correr de certa maneira e não está. Esse estímulo bate lá dentro, naquele ponto
sensível que desencadeia um chorrilho de pensamentos nada agradáveis que,
principalmente se estivermos sozinhos, tem o dom de nos fazer perder neles e de
nos fazer esquecer as coisas boas que nos rodeiam, tira-nos a vontade de agir,
faz-nos perder o sono e a vontade de comer. Só nos fica a apetecer enroscar num
canto quentinho e não fazer nada. Ficar ali, enquanto a nossa mente trabalha
furiosa a 100km/h a buscar mais e mais problemas para acrescentar aos que já
nos estão a incomodar.
Isto acontece muito comigo. Dizem que a casa dos 20 é a melhor
altura da nossa vida. Até pode ser (apesar de eu não concordar muito com isso),
mas também é uma altura má, em que tudo está em mutação, em que somos obrigados
a tomar decisões importantes quando estamos cheios de incertezas, a nos desenvencilharmos
por nós mesmos, em que existe toda uma pressão da sociedade para seguirmos um só
caminho, para sermos de certa maneira, para nos comportarmos como adultos
formados quando ainda temos tanto de criança dentro de nós, tantas dúvidas,
tantas incertezas, tanto que queremos experimentar e descobrir… Mesmo rodeados
de amigos e de pessoas que nos querem bem, o caminho da vida pode ser um
caminho muito solitário, em certas alturas…
E que faço eu nestes momentos, perguntam vocês? Meto-me na
cozinha e faço um bolo, vejo um filme, vou dar uma volta.
E vocês? Que fazem vocês?






