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sexta-feira, 5 de julho de 2013

Anita e o Calor

Porque é que as pessoas gostam tanto de calor?

Basta a rádio ou a televisão virem anunciar que a temperatura vai subir para cima de 30° que logo o mundo para em êxtase! Correm todos, loucos, para o Facebook para partilhar imagens da praia ou da piscina, deles em biquíni ou calção de banho, mensagens sobre o quão bom vai ser esse fim-de-semana, sobre o longo tempo martirizante que passaram à espera desta notícia maravilhosa enquanto o frio (24°) os dilacerava de morte!

Eu cá não gosto do calor. Basta a temperatura subir um bocadinho para o meu corpo começar a pedir para ficar todo o dia estendido, a vontade de ir para a rua foge para bem longe de mim, assim como a de trabalhar, não penso direito (ontem estive uns segundos a tentar perceber que idade tinha para responder a uma senhora que me perguntou), os mosquitos invadem o meu quarto e comem-me viva (porque lá na raça deles devem achar o meu sangue a coisa melhor de sempre), suo que me farto e tenho dificuldade em dormir à noite. Basicamente, torno-me num vegetal. E isso não é giro. Eu não acho giro.

Para juntar à festa, aumentam os fogos em Portugal. Ainda ontem à noite tive o meu quarto cheio de cheiro a fumo por causa de um incêndio aqui perto que, inclusive, pôs em perigo a casa de uma família amiga.

Claro que um calorzinho moderado é sempre agradável para ir para a praia, para a piscina ou para dar um passeiozito. Mas eu contento-me ali com os tais 24° para fazer isso tudo. Vá, aguento até aos 30° se estiver de férias na praia.

Quando uma pessoa tem frio, pode sempre vestir mais roupa, tapar-se, puxar o aquecedor para si, beber uma bebida quente, sentar-se ao pé da lareira ou abraçar-se a alguém. Com o calor, se não tivermos ar condicionado em casa, como é que é?

E é por isso que nunca vou entender esta fascinação global pelo calor. 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Os Sons da Minha Infância


Gosto do cantar do galo. Lembra-me o campo, a terra da minha mãe numa manhã de Verão, o cheiro a bolos na cozinha acabados de fazer, o sol a nascer e a inundar os campos e as flores de brilho...

Gosto do cantar das rolas. Lembra-me um jardim, um sítio especial, brinquedos à minha volta espalhados na relva, uma tenda, toalhas de praia, fatos-de-treino, cachorros-quentes, a calmaria de uma tarde, uma lareira e uma piscina na primavera...

Gosto do cantar das cigarras.Lembra-me o Verão junto ao mar, o calor das três da tarde e a sombra de uma palmeira, relva fresca, flores cor-de-rosa de perfume intenso e uma leve brisa a correr na calmaria de uma altura em que o tempo parecia eterno...

Gosto do som das ondas a bater. Lembra-me aquelas noites de Verão em que o céu se cobre de tantas estrelas que até parece que caiem algumas ao mar, que na verdade não são mais do que pequenas luzes de barcos de pesca, que brilham pela madrugada dentro...

Gosto do apregoar do vendedor de cautelas na rua. Lembra-me lençóis cor-de-rosa a dançarem ao vento, a agitação reconfortante das ruas de uma cidade numa manhã de sol, um quiosque com revistas, o cheiro a café numa cozinha cheia de luz, roupa a ser estendida e a promessa de um dia recheado de brincadeira...

Gosto do som da chuva. Lembra-me o Outono, as folhas a cair, o conforto de um cobertor e de uma bebida quente, collans e meias por comprar, pássaros abrigados entre os ramos despidos de uma árvore e chocolates embrulhados em prata de várias cores...

Gosto de todos estes sons e de muitos outros, porque para além de me lembrarem momentos, lembram-me de toda uma vida.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Quando nos Afogamos nos Nossos Pensamentos


Nunca se sentiram a afogar nos vossos próprios pensamentos? 

Vem de mansinho… Muitas vezes começa com a conversa mais inocente com um amigo, ou com algo que viram na televisão, algo que leram numa revista, num livro, um comentário que ouviram na rua a um desconhecido… Outras vezes vem de dentro, de uma preocupação, algo que achamos que devia estar a correr de certa maneira e não está. Esse estímulo bate lá dentro, naquele ponto sensível que desencadeia um chorrilho de pensamentos nada agradáveis que, principalmente se estivermos sozinhos, tem o dom de nos fazer perder neles e de nos fazer esquecer as coisas boas que nos rodeiam, tira-nos a vontade de agir, faz-nos perder o sono e a vontade de comer. Só nos fica a apetecer enroscar num canto quentinho e não fazer nada. Ficar ali, enquanto a nossa mente trabalha furiosa a 100km/h a buscar mais e mais problemas para acrescentar aos que já nos estão a incomodar. 

Isto acontece muito comigo. Dizem que a casa dos 20 é a melhor altura da nossa vida. Até pode ser (apesar de eu não concordar muito com isso), mas também é uma altura má, em que tudo está em mutação, em que somos obrigados a tomar decisões importantes quando estamos cheios de incertezas, a nos desenvencilharmos por nós mesmos, em que existe toda uma pressão da sociedade para seguirmos um só caminho, para sermos de certa maneira, para nos comportarmos como adultos formados quando ainda temos tanto de criança dentro de nós, tantas dúvidas, tantas incertezas, tanto que queremos experimentar e descobrir… Mesmo rodeados de amigos e de pessoas que nos querem bem, o caminho da vida pode ser um caminho muito solitário, em certas alturas…

E que faço eu nestes momentos, perguntam vocês? Meto-me na cozinha e faço um bolo, vejo um filme, vou dar uma volta. 

E vocês? Que fazem vocês?