Como boa jovem que se preze nos dias de hoje, estou inscrita nessa
instituição maravilhosa da moda que é o Centro de Emprego.
Já foi a Mocidade Portuguesa antes do 25 de Abril, logo depois foram os partidos
políticos e hoje em dia é o Centro de Emprego (o pessoal encontra-se todo por
lá, sempre vai dando dois dedos de conversa e é giro).
Inscrevi-me na inocência de alargar as minhas oportunidades futuras de
empregabilidade, mal sabia eu que o próprio centro de emprego se vinha a
demonstrar um emprego por ele só, com obrigações muito próprias, só com a pequena
chatice de não ser remunerado!
Desde o dia da inscrição até começar a receber as minhas primeiras
cartitas a convocar para “Sessões de Formação” ou para “Ofertas de Emprego
(que-não-me-servem-para-nada)” não demorou muito.
Estas oportunidades todas que dão ao pessoal são sem dúvida de louvar!
Louvo as ofertas de formação para concluir o 12º ano sem ter de meter os pés na
escola, louvo todas as outras formações para ocupar o nosso tempo (que não
servem rigorosamente para mais nada) que podemos tirar sem pagar e sem que nos
paguem, louvo a oferta de ir para o exército servir de recruta (adorei aquele
vídeo que passaram que mostrava o pessoal todo a caminhar ferozmente dentro de
água e quais malabaristas de circo a empoleirarem-se em cima de cordas lá nas
alturas, ou ainda às cambalhotas por todo o lado), louvo isso tudo! Só não
louvo que me obriguem a ir a estas sessões quase semanais sob pena de riscarem
o meu nome da lista lá do Centro de Emprego. Não louvo que enquanto uma pessoa
usufrua de uma formação destas seja dado como “ocupado” para o estado e
portanto não receba ofertas nem na sua área nem em área nenhuma. Se eu quisesse
ir para o exército como recruta tinha-me inscrito logo lá há uns anos atrás em
vez de me inscrever na faculdade. Bastava-me ter sido abençoada na área de
educação física (coisa que infelizmente nunca fui)! Não tinha pago propinas e
ainda tinha ganho do bom sem ter de fazer praticamente nada, como foi dito na
sessão.
Não entendam mal, não estou contra o Centro de Emprego dar estas “oportunidades”
ao pessoal. Estou contra o Centro de Emprego dar estas “oportunidades” como
quem atira areia para os olhos a outra pessoa sob pena de castigo. “Não vens cá
saber de uma coisa que não te interessa, riscamos o teu nome da lista!”
Assim é muito fácil dizer que os números inscritos estão a descer. Basta
fazerem sessões destas todas as semanas. Nem toda a gente pode ou tem meios
para passar lá a vida. E se não vais a uma, estás fora de qualquer próxima que
possa aí vir. E quem sabe, podia ser a certa logo a seguir.
