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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Anita no Centro de Emprego




Como boa jovem que se preze nos dias de hoje, estou inscrita nessa instituição maravilhosa da moda que é o Centro de Emprego.

Já foi a Mocidade Portuguesa antes do 25 de Abril, logo depois foram os partidos políticos e hoje em dia é o Centro de Emprego (o pessoal encontra-se todo por lá, sempre vai dando dois dedos de conversa e é giro).

Inscrevi-me na inocência de alargar as minhas oportunidades futuras de empregabilidade, mal sabia eu que o próprio centro de emprego se vinha a demonstrar um emprego por ele só, com obrigações muito próprias, só com a pequena chatice de não ser remunerado!

Desde o dia da inscrição até começar a receber as minhas primeiras cartitas a convocar para “Sessões de Formação” ou para “Ofertas de Emprego (que-não-me-servem-para-nada)” não demorou muito.

Estas oportunidades todas que dão ao pessoal são sem dúvida de louvar! Louvo as ofertas de formação para concluir o 12º ano sem ter de meter os pés na escola, louvo todas as outras formações para ocupar o nosso tempo (que não servem rigorosamente para mais nada) que podemos tirar sem pagar e sem que nos paguem, louvo a oferta de ir para o exército servir de recruta (adorei aquele vídeo que passaram que mostrava o pessoal todo a caminhar ferozmente dentro de água e quais malabaristas de circo a empoleirarem-se em cima de cordas lá nas alturas, ou ainda às cambalhotas por todo o lado), louvo isso tudo! Só não louvo que me obriguem a ir a estas sessões quase semanais sob pena de riscarem o meu nome da lista lá do Centro de Emprego. Não louvo que enquanto uma pessoa usufrua de uma formação destas seja dado como “ocupado” para o estado e portanto não receba ofertas nem na sua área nem em área nenhuma. Se eu quisesse ir para o exército como recruta tinha-me inscrito logo lá há uns anos atrás em vez de me inscrever na faculdade. Bastava-me ter sido abençoada na área de educação física (coisa que infelizmente nunca fui)! Não tinha pago propinas e ainda tinha ganho do bom sem ter de fazer praticamente nada, como foi dito na sessão.  

Não entendam mal, não estou contra o Centro de Emprego dar estas “oportunidades” ao pessoal. Estou contra o Centro de Emprego dar estas “oportunidades” como quem atira areia para os olhos a outra pessoa sob pena de castigo. “Não vens cá saber de uma coisa que não te interessa, riscamos o teu nome da lista!”

Assim é muito fácil dizer que os números inscritos estão a descer. Basta fazerem sessões destas todas as semanas. Nem toda a gente pode ou tem meios para passar lá a vida. E se não vais a uma, estás fora de qualquer próxima que possa aí vir. E quem sabe, podia ser a certa logo a seguir.