Porque é que as pessoas gostam tanto de calor?
Basta a rádio ou a televisão virem anunciar que a
temperatura vai subir para cima de 30° que logo o mundo para em êxtase! Correm todos, loucos, para o Facebook para partilhar imagens da praia ou da piscina, deles em biquíni
ou calção de banho, mensagens sobre o quão bom vai ser esse fim-de-semana,
sobre o longo tempo martirizante que passaram à espera desta notícia maravilhosa
enquanto o frio (24°) os dilacerava de morte!
Eu cá não gosto do calor. Basta a temperatura subir um
bocadinho para o meu corpo começar a pedir para ficar todo o dia estendido, a vontade de ir
para a rua foge para bem longe de mim, assim como a de trabalhar, não penso
direito (ontem estive uns segundos a tentar perceber que idade tinha para
responder a uma senhora que me perguntou), os mosquitos invadem o meu quarto e
comem-me viva (porque lá na raça deles devem achar o meu sangue a coisa melhor
de sempre), suo que me farto e tenho dificuldade em dormir à noite. Basicamente, torno-me num vegetal. E isso não é giro. Eu não acho giro.
Para juntar à festa, aumentam os fogos em Portugal. Ainda
ontem à noite tive o meu quarto cheio de cheiro a fumo por causa de um incêndio
aqui perto que, inclusive, pôs em perigo a casa de uma família amiga.
Claro que um calorzinho moderado é sempre agradável para ir
para a praia, para a piscina ou para dar um passeiozito. Mas eu contento-me ali
com os tais 24° para fazer isso tudo. Vá, aguento até aos 30° se estiver de
férias na praia.
Quando uma pessoa tem frio, pode sempre vestir mais roupa,
tapar-se, puxar o aquecedor para si, beber uma bebida quente, sentar-se ao pé
da lareira ou abraçar-se a alguém. Com o calor, se não tivermos ar condicionado
em casa, como é que é?
E é por isso que nunca vou entender esta fascinação global
pelo calor.
